Autor: elod-bot

  • Velocidade média no ENEM: distância, tempo e unidades

    As duas questões deste artigo usam a mesma relação, distância = velocidade média × tempo, e a mesma cautela: as unidades precisam combinar antes da conta. A questão vem primeiro, e a teoria sai dela. Antes de ler cada resolução, tente resolver e anote a sua resposta.

    Questão 1: ENEM 2018, 2º dia, Caderno 7 (Azul), questão 146

    Numa atividade de treinamento realizada no Exército de um determinado país, três equipes – Alpha, Beta e Gama – foram designadas a percorrer diferentes caminhos, todos com os mesmos pontos de partida e de chegada.

    • A equipe Alpha realizou seu percurso em 90 minutos com uma velocidade média de 6,0 km/h.
    • A equipe Beta também percorreu sua trajetória em 90 minutos, mas sua velocidade média foi de 5,0 km/h.
    • Com uma velocidade média de 6,5 km/h, a equipe Gama concluiu seu caminho em 60 minutos.

    Com base nesses dados, foram comparadas as distâncias dBeta; dAlpha e dGama percorridas pelas três equipes.

    A ordem das distâncias percorridas pelas equipes Alpha, Beta e Gama é

    A) dGama < dBeta < dAlpha
    B) dAlpha = dBeta < dGama
    C) dGama < dBeta = dAlpha
    D) dBeta < dAlpha < dGama
    E) dGama < dAlpha < dBeta

    Passo a passo

    Passo 1. Separe o que é igual do que é diferente. As três equipes saem do mesmo ponto e chegam ao mesmo ponto, mas por caminhos diferentes. Pontos de partida e de chegada iguais não dizem, sozinhos, se as distâncias percorridas são iguais: caminhos diferentes podem ter comprimentos iguais ou diferentes. Por isso a questão dá a velocidade média e o tempo de cada equipe, e a conta decide.

    Passo 2. Ponha o tempo em hora. A velocidade está em km/h, então o tempo precisa estar em hora:

    • 90 minutos = 1,5 h
    • 60 minutos = 1 h

    Passo 3. Use distância = velocidade média × tempo.

    • Alpha: 6,0 km/h × 1,5 h = 9,0 km
    • Beta: 5,0 km/h × 1,5 h = 7,5 km
    • Gama: 6,5 km/h × 1 h = 6,5 km

    Nesta questão, os cálculos mostram três distâncias diferentes.

    Passo 4. Ordene. 6,5 < 7,5 < 9,0, ou seja, dGama < dBeta < dAlpha.

    Passo 5. Hipóteses sobre as outras alternativas. As alternativas B e C põem distâncias iguais, o que combina com quem confunde “mesmos pontos de partida e de chegada” com “mesma distância percorrida”. A alternativa D segue a ordem das velocidades (5,0 < 6,0 < 6,5), o que combina com quem compara só as velocidades e esquece que o tempo da Gama é menor.

    Resposta: A. Gabarito oficial do Inep: A.

    Questão 2: inédita, no estilo do ENEM

    Questão inédita GratLabs, no estilo do ENEM (não é questão de prova anterior).

    Em um treino, um atleta percorreu 100 m em linha reta em 12,5 s. Para comparar com o velocímetro de uma bicicleta, que mostra a velocidade em quilômetro por hora, o treinador converteu a velocidade média do atleta nesse trecho.

    A velocidade média do atleta nesse trecho, em quilômetro por hora, foi de

    A) 2,2. B) 8,0. C) 12,5. D) 28,8. E) 36,0.

    Passo a passo

    Passo 1. Calcule a velocidade média nas unidades do enunciado. 100 m ÷ 12,5 s = 8 m/s.

    Passo 2. Converta de m/s para km/h. Em 1 hora há 3 600 s, e 1 km tem 1 000 m:

    8 m/s = 8 × 3 600 m/h = 28 800 m/h = 28,8 km/h

    O atalho é o mesmo: m/s × 3,6 = km/h, porque 3 600 ÷ 1 000 = 3,6. Assim, 8 × 3,6 = 28,8.

    Passo 3. Hipóteses sobre as outras alternativas. A alternativa B (8,0) é a velocidade em m/s, sem conversão. A alternativa A (2,2, aproximadamente 8 ÷ 3,6) aparece se a conversão for feita no sentido contrário. A alternativa E (36,0) é a de quem usa 100 m em 10 s, e não em 12,5 s.

    Resposta: D (28,8 km/h).

    O que levar para a prova

    • Distância = velocidade média × tempo, com as unidades combinando: km/h com hora, m/s com segundo.
    • Converta antes de multiplicar. Nesta questão de 2018, 90 min = 1,5 h.
    • m/s × 3,6 = km/h; km/h ÷ 3,6 = m/s. Na dúvida, refaça com 3 600 s e 1 000 m.
    • Pontos de partida e de chegada iguais não bastam para comparar distâncias percorridas. Quando os caminhos são diferentes, calcule cada distância.

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    Fontes

    Fontes consultadas em 16/10/2026.

  • Desvio-padrão e arranjo: uma comissão da Câmara, dois itens do Cebraspe

    Na prova de Conhecimentos Gerais dos cargos 1 e 2 do concurso da Câmara dos Deputados (Edital nº 1, de 30/12/2025, aplicada pelo Cebraspe em 08/03/2026), uma única situação sobre uma comissão sustentou cinco itens de raciocínio quantitativo. O edital dessa prova listava, em Raciocínio Lógico e Analítico, “Problemas de contagem e noções de probabilidade” (item 4.1) e “Noções de estatística: média, moda, mediana e desvio padrão” (item 6).

    Este artigo resolve dois desses itens, os de número 43 e 44. Os dois decidem o julgamento num detalhe: no 43, saber comparar sem extrair a raiz; no 44, perceber que a ordem importa.

    Antes de ler a resolução, julgue os dois itens como Certo ou Errado e anote a sua resposta. Depois, compare.

    A situação

    Determinada comissão da Câmara dos Deputados é composta por 12 membros, 2 dos quais são do mesmo partido político. A Mesa da comissão é composta por 4 desses membros, que ocupam os cargos de presidente, vice-presidente, 1.º secretário e 2.º secretário, todos com atribuições específicas, que os distinguem entre si e dos demais membros da comissão. Cada cargo deve ser ocupado por apenas um deputado, vedada a acumulação de cargos. Em certo dia de deliberações, todos os deputados dessa comissão que não participam da Mesa se inscreveram para fazer uma fala. A tabela a seguir apresenta a duração, em minutos, dos discursos dos cinco primeiros deputados a realizarem as suas falas.

    deputado 1 2 3 4 5
    duração 7 4 6 5 8

    Com base na situação hipotética precedente, julgue os itens a seguir.

    Item 43. O desvio-padrão dos tempos de fala dos cinco primeiros deputados é superior a 2 minutos.

    Item 44. É possível compor a Mesa de mais de cinco mil maneiras distintas sem que nela estejam presentes nenhum dos dois membros que são do mesmo partido político.

    Item 43, passo a passo: o desvio-padrão

    Passo 1. Calcule a média. (7 + 4 + 6 + 5 + 8) / 5 = 30 / 5 = 6 minutos.

    Passo 2. Calcule os desvios em relação à média e eleve ao quadrado.

    duração desvio (duração − 6) desvio ao quadrado
    7 1 1
    4 −2 4
    6 0 0
    5 −1 1
    8 2 4
    soma 10

    Passo 3. Calcule a variância. Aqui aparece uma dúvida comum: dividir por 5 (os cinco valores como população) ou por 4 (como amostra)? Faça as duas contas:

    • dividindo por 5: 10 / 5 = 2
    • dividindo por 4: 10 / 4 = 2,5

    Passo 4. Compare sem extrair a raiz. O desvio-padrão é a raiz quadrada da variância. Dizer que ele é “superior a 2 minutos” é o mesmo que dizer que a variância é superior a 2² = 4. Nas duas contas, a variância (2 ou 2,5) fica abaixo de 4. Então o desvio-padrão fica abaixo de 2: cerca de 1,41 minuto (raiz de 2) ou 1,58 minuto (raiz de 2,5).

    Passo 5. Julgue. Seja qual for a convenção, o desvio-padrão não passa de 2 minutos. Item ERRADO (gabarito definitivo: E).

    O que levar: quando o item compara o desvio-padrão com um número positivo, compare a variância com o quadrado desse número (como o desvio-padrão nunca é negativo, a comparação se mantém). E, se a dúvida for entre dividir por n ou por n − 1, faça as duas contas: se as duas levam ao mesmo julgamento, a dúvida não muda a resposta.

    Item 44, passo a passo: o arranjo

    Passo 1. Separe quem pode entrar. A Mesa não pode ter nenhum dos dois membros do mesmo partido. Sobram 12 − 2 = 10 membros disponíveis.

    Passo 2. Decida se a ordem importa. O enunciado diz que os quatro cargos (presidente, vice-presidente, 1.º secretário e 2.º secretário) têm “atribuições específicas, que os distinguem entre si”. Então a Mesa com Ana na presidência e Bruno na vice é diferente da Mesa com Bruno na presidência e Ana na vice. A ordem importa: é arranjo, e não combinação.

    Passo 3. Conte cargo a cargo (princípio multiplicativo).

    • presidente: 10 escolhas
    • vice-presidente: 9 escolhas (ninguém acumula cargo)
    • 1.º secretário: 8 escolhas
    • 2.º secretário: 7 escolhas

    Total: 10 × 9 × 8 × 7 = 5.040 maneiras.

    Passo 4. Veja onde está a armadilha. Quem trata a Mesa como um grupo sem cargos calcula a combinação de 10 elementos, 4 a 4: 5.040 / (4 × 3 × 2 × 1) = 210. Com 210, julgaria o item errado. A frase sobre as atribuições que distinguem os cargos é o que manda contar a ordem.

    Passo 5. Julgue. 5.040 é mais que 5.000. Item CERTO (gabarito definitivo: C).

    O que levar: neste item, são quatro cargos distintos ocupados por pessoas diferentes, sem acumulação: arranjo simples, 10 × 9 × 8 × 7. Se fossem só quatro pessoas escolhidas, sem cargos, seria combinação de 10, 4 a 4 (210). Em outros problemas, confira também se pode haver repetição e se há outras restrições.

    Resumo dos dois itens

    • Item 43 (E): média 6, soma dos quadrados dos desvios 10, variância 2 ou 2,5, desvio-padrão menor que 2 nas duas convenções.
    • Item 44 (C): 10 membros disponíveis, cargos distintos, 10 × 9 × 8 × 7 = 5.040, mais que 5.000.

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    Fontes

    Fontes consultadas em 13/10/2026.

  • Probabilidade no ENEM: quando a urna muda, a conta muda

    Nestes dois itens oficiais, a conta só fica certa depois de duas decisões: o que tem a mesma chance de sair e o que muda depois de cada retirada. O artigo treina essas duas decisões.

    A questão vem primeiro, e a teoria sai dela. Antes de ler cada resolução, tente resolver e anote a sua resposta. Depois, compare.

    Item 1: ENEM 2023, 2º dia, Caderno 7 (Azul), questão 141

    No alojamento de uma universidade, há alguns quartos com o padrão superior ao dos demais. Um desses quartos ficou disponível, e muitos estudantes se candidataram para morar no local. Para escolher quem ficará com o quarto, um sorteio será realizado. Para esse sorteio, cartões individuais com os nomes de todos os estudantes inscritos serão depositados em uma urna, sendo que, para cada estudante de primeiro ano, será depositado um único cartão com seu nome; para cada estudante de segundo ano, dois cartões com seu nome; e, para cada estudante de terceiro ano, três cartões com seu nome. Foram inscritos 200 estudantes de primeiro ano, 150 de segundo ano e 100 de terceiro ano. Todos os cartões têm a mesma probabilidade de serem sorteados.

    Qual a probabilidade de o vencedor do sorteio ser um estudante de terceiro ano?

    A) 1/2 B) 1/3 C) 1/8 D) 2/9 E) 3/8

    Passo a passo

    Passo 1. Ache o que tem a mesma chance. O enunciado diz: “Todos os cartões têm a mesma probabilidade de serem sorteados”. Quem tem a mesma chance é o cartão, e não o estudante. Por isso, a conta se faz contando cartões.

    Passo 2. Conte os cartões de cada grupo.

    • 1º ano: 200 estudantes × 1 cartão = 200 cartões
    • 2º ano: 150 estudantes × 2 cartões = 300 cartões
    • 3º ano: 100 estudantes × 3 cartões = 300 cartões
    • Total: 200 + 300 + 300 = 800 cartões

    Passo 3. Divida os casos favoráveis pelo total. O vencedor é do 3º ano quando sai um dos 300 cartões do 3º ano:

    P = 300 / 800 = 3/8

    Passo 4. Confira por que a alternativa D atrai. Se você contar estudantes, e não cartões, chega a 100 / 450 = 2/9, que é a alternativa D. Essa conta trataria cada estudante como igualmente provável, e o enunciado diz o contrário: cada estudante do 3º ano tem três cartões na urna.

    Resposta: E (3/8). Gabarito oficial do Inep: E.

    O que levar: quando todos os resultados possíveis, em número finito, são igualmente prováveis, P = resultados favoráveis / total de resultados. Antes de montar a fração, sublinhe no enunciado o que é igualmente provável (aqui, os cartões).

    Item 2: ENEM 2018, 2º dia, Caderno 7 (Azul), questão 150

    Para ganhar um prêmio, uma pessoa deverá retirar, sucessivamente e sem reposição, duas bolas pretas de uma mesma urna.

    Inicialmente, as quantidades e cores das bolas são como descritas a seguir:

    • Urna A – Possui três bolas brancas, duas bolas pretas e uma bola verde;
    • Urna B – Possui seis bolas brancas, três bolas pretas e uma bola verde;
    • Urna C – Possui duas bolas pretas e duas bolas verdes;
    • Urna D – Possui três bolas brancas e três bolas pretas.

    A pessoa deve escolher uma entre as cinco opções apresentadas:

    • Opção 1 – Retirar, aleatoriamente, duas bolas da urna A;
    • Opção 2 – Retirar, aleatoriamente, duas bolas da urna B;
    • Opção 3 – Passar, aleatoriamente, uma bola da urna C para a urna A; após isso, retirar, aleatoriamente, duas bolas da urna A;
    • Opção 4 – Passar, aleatoriamente, uma bola da urna D para a urna C; após isso, retirar, aleatoriamente, duas bolas da urna C;
    • Opção 5 – Passar, aleatoriamente, uma bola da urna C para a urna D; após isso, retirar, aleatoriamente, duas bolas da urna D.

    Com o objetivo de obter a maior probabilidade possível de ganhar o prêmio, a pessoa deve escolher a opção

    A) 1. B) 2. C) 3. D) 4. E) 5.

    Passo a passo

    Passo 1. Entenda o “sem reposição”. A primeira bola retirada não volta. Se ela for preta, a segunda retirada acontece numa urna com uma bola a menos e uma preta a menos. Por isso a chance de duas pretas é:

    P(duas pretas) = P(1ª preta) × P(2ª preta, dado que a 1ª foi preta)

    Passo 2. Opções 1 e 2: retirada direta.

    • Urna A (6 bolas, 2 pretas): 2/6 × 1/5 = 2/30 = 1/15 (cerca de 6,7%)
    • Urna B (10 bolas, 3 pretas): 3/10 × 2/9 = 6/90 = 1/15 (cerca de 6,7%)

    As duas empatam. Ter mais bolas pretas não basta: o que conta é a proporção de pretas, antes e depois da primeira retirada.

    Passo 3. Opções 3, 4 e 5: primeiro uma transferência ao acaso. Aqui há duas etapas. A bola transferida pode ser de uma cor ou de outra, e cada caso deixa a urna final diferente. Calcule a chance em cada caso e pondere pela chance de o caso acontecer:

    P(ganhar) = P(caso 1) × P(duas pretas no caso 1) + P(caso 2) × P(duas pretas no caso 2)

    Opção 3 (uma bola de C vai para A). A urna C tem 2 pretas e 2 verdes, então a bola transferida é preta com chance 1/2 e verde com chance 1/2.

    • Se for preta, A fica com 3 brancas, 3 pretas e 1 verde (7 bolas): 3/7 × 2/6 = 6/42 = 1/7
    • Se for verde, A fica com 3 brancas, 2 pretas e 2 verdes (7 bolas): 2/7 × 1/6 = 2/42 = 1/21
    • Total: 1/2 × 1/7 + 1/2 × 1/21 = 3/42 + 1/42 = 4/42 = 2/21 (cerca de 9,5%)

    Opção 4 (uma bola de D vai para C). A urna D tem 3 brancas e 3 pretas: preta com chance 1/2, branca com chance 1/2.

    • Se for preta, C fica com 3 pretas e 2 verdes (5 bolas): 3/5 × 2/4 = 6/20 = 3/10
    • Se for branca, C fica com 2 pretas, 2 verdes e 1 branca (5 bolas): 2/5 × 1/4 = 2/20 = 1/10
    • Total: 1/2 × 3/10 + 1/2 × 1/10 = 3/20 + 1/20 = 4/20 = 1/5 (20%)

    Opção 5 (uma bola de C vai para D). A bola transferida é preta com chance 1/2 e verde com chance 1/2.

    • Se for preta, D fica com 3 brancas e 4 pretas (7 bolas): 4/7 × 3/6 = 12/42 = 2/7
    • Se for verde, D fica com 3 brancas, 3 pretas e 1 verde (7 bolas): 3/7 × 2/6 = 6/42 = 1/7
    • Total: 1/2 × 2/7 + 1/2 × 1/7 = 2/14 + 1/14 = 3/14 (cerca de 21,4%)

    Passo 4. Compare com cuidado. As opções 4 e 5 ficam perto: 1/5 e 3/14. Com o mesmo denominador, 1/5 = 14/70 e 3/14 = 15/70. A opção 5 é a maior.

    Resposta: E (opção 5). Gabarito oficial do Inep: E.

    O que levar para a prova

    • Ache o que é igualmente provável. A fração favoráveis/total vale quando os resultados contados têm a mesma chance. No item de 2023, eram os cartões, e não os estudantes.
    • Sem reposição, a urna muda a cada retirada. Na segunda retirada, o total e a quantidade da cor sorteada diminuem em 1.
    • Quando houver uma etapa ao acaso antes, separe os casos. Calcule cada caso e pondere pela chance dele.
    • Opções próximas pedem comparação exata. Um denominador comum ajuda: no item de 2018, 1/5 = 14/70 e 3/14 = 15/70, e a opção 5 é maior.

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    Fontes

    Fontes consultadas em 13/10/2026.

  • Blocos parlamentares no Regimento da Câmara: dois itens do Cebraspe resolvidos

    O edital da Câmara dos Deputados 2026 (Edital nº 1, de 2/10/2026) pede, nos Conhecimentos Básicos, em Noções de Direito Constitucional e de Regimento Interno da Câmara dos Deputados, o item 7.1: “Disposições preliminares e Órgãos da Câmara (arts. 1º a 24 e suas alterações)”. O art. 12, sobre os blocos parlamentares, está nesse trecho, e os Conhecimentos Básicos valem para o cargo 11 (Analista Legislativo, Registro e Redação).

    Neste artigo, a questão vem primeiro e a regra vem dela. São dois itens oficiais da prova de Conhecimentos Específicos do cargo 1 (Analista Legislativo – Processo Legislativo e Gestão) da Câmara dos Deputados, aplicada pelo Cebraspe em 08/03/2026, com o gabarito definitivo da banca.

    A questão

    Julgue os próximos itens, com base no que dispõe o Regimento Interno da Câmara dos Deputados em relação aos blocos parlamentares.

    Item 91. Caso um deputado se desligue do partido que forma um bloco parlamentar e seu desligamento reduza a quantidade de membros do bloco a um número inferior ao mínimo necessário para a sua constituição, tal bloco permanecerá existindo somente até o final da legislatura.

    Item 92. Se dois partidos se coligarem para a formação de um bloco parlamentar, suas lideranças perdem suas atribuições, mas não suas prerrogativas.

    Antes de ler a resolução, julgue os dois itens e anote a sua resposta e o tempo que levou em cada um. Depois, compare.

    A regra: o art. 12 do Regimento Interno

    O art. 12 do Regimento Interno da Câmara dos Deputados (Resolução nº 17/1989) diz que “[a]s representações de dois ou mais Partidos, por deliberação das respectivas bancadas, poderão constituir Bloco Parlamentar, sob Liderança comum”. Para estes dois itens, quatro parágrafos bastam:

    • § 2º: “As Lideranças dos Partidos que se coligarem em Bloco Parlamentar perdem suas atribuições e prerrogativas regimentais.”
    • § 3º: “Não será admitida a formação de Bloco Parlamentar composto de menos de três centésimos dos membros da Câmara.”
    • § 4º: “Se o desligamento de uma bancada implicar a perda do quorum fixado no parágrafo anterior, extingue-se o Bloco Parlamentar.”
    • § 5º: “O Bloco Parlamentar tem existência circunscrita à legislatura, devendo o ato de sua criação e as alterações posteriores ser apresentados à Mesa para registro e publicação.”

    Item 91, passo a passo

    Passo 1. Separe a hipótese da consequência. A hipótese: um desligamento deixa o bloco abaixo do mínimo exigido para constituí-lo. A consequência que o item afirma: o bloco “permanecerá existindo somente até o final da legislatura”.

    Passo 2. Ache os parágrafos do mínimo. O mínimo está no § 3º: três centésimos dos membros da Câmara. A consequência que o art. 12 liga à perda desse mínimo está no § 4º: “Se o desligamento de uma bancada implicar a perda do quorum fixado no parágrafo anterior, extingue-se o Bloco Parlamentar.” Repare no texto: o § 4º fala do desligamento de uma bancada; o item fala de um deputado que se desliga do partido.

    Passo 3. Procure, no artigo, a consequência que o item afirma. O “até o final da legislatura” do item vem do § 5º, que trata de outra coisa: o limite de existência de todo bloco, mesmo do que mantém o mínimo. Nenhum parágrafo do art. 12 diz que um bloco abaixo do mínimo continua existindo até o fim da legislatura.

    Passo 4. Julgue. O item atribui à perda do mínimo uma sobrevida que o art. 12 não prevê, emprestada do § 5º. Item ERRADO (gabarito definitivo: E).

    Item 92, passo a passo

    Passo 1. Ache a palavra que o item mexeu. O item diz que as lideranças dos partidos coligados perdem “suas atribuições, mas não suas prerrogativas”.

    Passo 2. Leia o parágrafo inteiro. O § 2º diz que elas perdem “suas atribuições e prerrogativas regimentais”. As duas coisas, ligadas por “e”.

    Passo 3. Julgue. O item salvou as prerrogativas, que o Regimento também retira. Item ERRADO (gabarito definitivo: E).

    O que levar para a prova

    • Mínimo e extinção andam juntos: o § 3º fixa o mínimo (três centésimos dos membros da Câmara) e o § 4º extingue o bloco quando o desligamento de uma bancada o leva abaixo desse mínimo. Leia sempre quem se desliga: o texto do § 4º fala de bancada.
    • A legislatura é outra regra: o § 5º limita a existência de todo bloco à legislatura. Num item sobre perda do mínimo, desconfie quando a consequência for “até o fim da legislatura” e confira o texto dos §§ 4º e 5º antes de julgar.
    • Atribuições e prerrogativas: no § 2º, as lideranças dos partidos coligados perdem as duas. Um “mas não” no meio da regra pede a releitura do parágrafo.

    Se você errou um dos dois itens, ou deixou em branco, comece a revisão pelo art. 12: leia de novo os §§ 2º a 5º e refaça os dois itens em outro dia.

    Treine a prova inteira

    No domingo, 25/10, a GratLabs aplica o 1º Simulado Diagnóstico Câmara, para o cargo 11 (Analista Legislativo, Registro e Redação), no formato do edital: de manhã, 180 itens inéditos de Certo/Errado em 5h (P1 e P2), escritos no estilo do Cebraspe; à tarde, a P3, discursiva, em 3h, com duas questões e uma peça técnica corrigidas quesito por quesito, pelo espelho de correção de cada quesito e com a fórmula de nota do edital. O relatório traz a nota de cada prova diante dos mínimos do edital e o diagnóstico por disciplina e por assunto do edital. Os itens do simulado não são os deste artigo.

    Simulado 1: R$ 39,90. Pacote com os 6 simulados da Câmara: R$ 149,90. O pacote traz os 6 simulados do cargo 11, nas datas previstas: domingos 25/10, 08/11, 22/11, 06/12, 20/12 e 03/01/2027.

    Detalhes e compra na página do simulado: https://gratlabs.com.br/simulado-camara/?utm_source=blog&utm_medium=organico&utm_campaign=camara1-2026-10&utm_content=camara1c-p6-blog

    Fontes

    Fontes consultadas em 14/10/2026.

  • Média ou mediana? Como um valor extremo muda a leitura dos dados

    Média ou mediana? Como um valor extremo muda a leitura dos dados

    Cinco pessoas registraram quantas horas estudaram num dia: 2, 2, 2, 2 e 12 (exemplo fictício). A média é 4 horas, mas quatro das cinco pessoas estudaram 2 horas. Nenhuma conta está errada: média e mediana respondem a perguntas diferentes.

    A média usa todos os valores

    Segundo o manual de métodos estatísticos do NIST, a média é a soma dos dados dividida pelo número de dados:

    • (2 + 2 + 2 + 2 + 12) ÷ 5 = 20 ÷ 5 = 4

    Como todos os valores entram na conta, um valor muito alto ou muito baixo desloca a média. O NIST resume: valores extremos nas caudas distorcem a média, mas não distorcem a mediana, que se baseia na ordem dos dados.

    A mediana é o valor central

    Pela definição do NIST, com os dados ordenados, a mediana é o valor central, quando a quantidade de dados é ímpar, ou a média dos dois valores centrais, quando é par. Quando há valores repetidos no centro, como aqui, a leitura precisa é: pelo menos metade dos valores é menor ou igual à mediana e pelo menos metade é maior ou igual a ela.

    • 2, 2, 2, 2, 12 → mediana = 2

    O teste do valor extremo

    Troque o 12 por 30:

    • média: (2 + 2 + 2 + 2 + 30) ÷ 5 = 38 ÷ 5 = 7,6
    • mediana: continua 2

    A média mudou muito; a mediana, nada, como descreve o NIST. Isso não torna a mediana imune a mudanças: se os valores centrais mudarem, ela também muda.

    Um dado oficial: renda do trabalho no Censo 2022

    Nos números do IBGE sobre renda, a média também fica acima da mediana. No Censo Demográfico 2022: Trabalho e Rendimento, divulgado em 09/10/2025 com resultados preliminares da amostra, o rendimento nominal mensal de todos os trabalhos das pessoas de 14 anos ou mais ocupadas na semana de referência e com rendimento de trabalho foi:

    MedidaValor (Brasil, 2022)
    MédiaR$ 2.850,64
    MedianaR$ 1.700,00

    A média fica bem acima da mediana, e pelo menos metade dessas pessoas recebia até R$ 1.700,00. O padrão é compatível com o que o NIST descreve para distribuições com cauda mais pesada à direita, em que a média fica acima da mediana; a tabela do IBGE, porém, informa apenas os dois valores.

    Qual usar?

    Depende da pergunta:

    • Quer saber quanto caberia a cada um se o total fosse repartido igualmente? Use a média.
    • Quer o valor central da distribuição? Use a mediana.

    A utilidade de cada medida depende da pergunta e da forma da distribuição. Em questões de interpretação, observe também a presença de valores extremos antes de concluir o que a média “mostra”.

    Resumo para revisão

    • Média: soma ÷ quantidade. Valores extremos a distorcem (NIST).
    • Mediana: valor central da lista ordenada (com quantidade par, a média dos dois centrais). Valores extremos não a distorcem (NIST).
    • No Censo 2022 (resultados preliminares), a renda média do trabalho ficou acima da mediana: R$ 2.850,64 contra R$ 1.700,00.

    Fontes

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  • Balanço financeiro e DVP: uma tabela, dois itens do Cebraspe resolvidos

    O programa do cargo 1 da CGU 2026 (Auditor Federal de Finanças e Controle, Auditoria) pede, em Finanças Públicas, Orçamento e Contabilidade Pública, a “[l]eitura dos balanços orçamentário, financeiro e patrimonial e da demonstração das variações patrimoniais” (Edital CGU nº 1/2026, item 4.2 da disciplina). Nos dois itens resolvidos aqui, ler demonstração quer dizer isto: uma tabela com muitos números e um item que pergunta só por alguns deles.

    Neste artigo, a questão vem primeiro e a teoria vem dela. São dois itens oficiais da prova de Analista de Controle Interno (Ciências Contábeis) da CGE/AL, aplicada pelo Cebraspe em 23/08/2026, com o gabarito definitivo da banca.

    A questão

    Considerando os dados da tabela precedente, relativos às demonstrações contábeis de uma autarquia estadual ao final do exercício de 2025, julgue os itens a seguir, com base nas normas aplicadas à estrutura e fechamento das demonstrações contábeis do setor público.

    itens valores em R$
    previsão atualizada da receita 1.000.000
    receita arrecadada 950.000
    dotação atualizada da despesa 1.000.000
    despesa empenhada 900.000
    despesa liquidada 850.000
    despesa paga 800.000
    variações patrimoniais aumentativas (VPA) 980.000
    variações patrimoniais diminutivas (VPD) 820.000
    saldo inicial do caixa 100.000

    Item 110. O saldo em espécie para o exercício seguinte (saldo final), apurado no balanço financeiro, é de R$ 380.000.

    Item 112. O resultado patrimonial do exercício, apurado na demonstração das variações patrimoniais, apresentou superávit de R$ 160.000.

    Antes de ler a resolução, julgue os dois itens e anote a sua resposta e o tempo que levou em cada um. Depois, compare.

    Item 110, passo a passo: o saldo do balanço financeiro

    Passo 1. Descubra o que o item pede. O item fala do “saldo em espécie para o exercício seguinte”, no balanço financeiro. A Lei nº 4.320/1964 define essa demonstração assim (art. 103): “O Balanço Financeiro demonstrará a receita e a despesa orçamentárias bem como os recebimentos e os pagamentos de natureza extra-orçamentária, conjugados com os saldos em espécie provenientes do exercício anterior, e os que se transferem para o exercício seguinte.” Saldo em espécie é dinheiro em caixa.

    Passo 2. Separe, na tabela, o que mexe no caixa. Entrou dinheiro pela receita arrecadada (R$ 950.000). Saiu dinheiro pela despesa paga (R$ 800.000). O ano começou com R$ 100.000. As outras linhas não são entrada nem saída de dinheiro: previsão e dotação são valores do orçamento, e não recebimentos ou pagamentos; empenho e liquidação ainda não tiram dinheiro do caixa; VPA e VPD medem o patrimônio, não o caixa.

    Passo 3. Faça a conta.

    saldo final = saldo inicial + entradas − saídas = 100.000 + 950.000 − 800.000 = R$ 250.000

    Passo 4. Confira o sentido do número. Saldo em espécie é dinheiro. Um registro que não é entrada nem saída de dinheiro não muda esse saldo, por maior que seja.

    Passo 5. Julgue. O item diz R$ 380.000; a conta dá R$ 250.000. Item ERRADO (gabarito definitivo: E).

    Item 112, passo a passo: o resultado patrimonial da DVP

    Passo 1. Descubra o que o item pede. O resultado patrimonial é apurado na demonstração das variações patrimoniais (DVP). Pela Lei nº 4.320/1964 (art. 104), a DVP “evidenciará as alterações verificadas no patrimônio, resultantes ou independentes da execução orçamentária, e indicará o resultado patrimonial do exercício”.

    Passo 2. Use a regra de apuração. O Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público diz: “O resultado patrimonial do período é a diferença entre as variações patrimoniais aumentativas e diminutivas, apurada na Demonstração das Variações Patrimoniais” (MCASP, 11ª edição, Parte II, p. 162 do PDF).

    Passo 3. Faça a conta.

    resultado patrimonial = VPA − VPD = 980.000 − 820.000 = R$ 160.000

    Como as aumentativas superam as diminutivas, o resultado é superavitário.

    Passo 4. Julgue. Superávit de R$ 160.000. Item CERTO (gabarito definitivo: C).

    Um cuidado: VPA não é receita arrecadada. Na tabela, a VPA é de R$ 980.000 e a receita arrecadada, de R$ 950.000. A DVP olha para o patrimônio; o caixa fica no balanço financeiro. Misturar as duas linhas é o caminho mais curto para errar uma das duas contas.

    O que levar para a prova

    • Pergunte primeiro qual demonstração o item cita. Cada uma usa linhas diferentes da mesma tabela.
    • Balanço financeiro, saldo final: saldo anterior + entradas − saídas de caixa.
    • DVP, resultado patrimonial: VPA − VPD. Positivo é superávit; negativo, déficit.
    • Previsão, dotação, empenho e liquidação não são movimento de caixa.

    Se você errou um dos dois itens, ou deixou em branco, comece a revisão por esse assunto: refaça a conta em outro dia, com uma tabela nova.

    Treine a prova inteira

    No domingo, 18/10, a GratLabs aplica o 1º Simulado Diagnóstico CGU, no formato do edital: de manhã, 170 itens inéditos de Certo/Errado em 5h (P1, P2 e P3), escritos no estilo do Cebraspe; à tarde, a discursiva em 3h30, corrigida quesito por quesito, com espelho fechado e a fórmula de nota do edital. A partir das 8h do dia seguinte à sua prova, depois da revisão da equipe, abrem no link do seu relatório a prova em PDF, o gabarito comentado e o diagnóstico por disciplina e por assunto do edital, com acertos, erros, brancos e tempo. Os itens do simulado não são os deste artigo.

    Simulado 1, R$ 39,90: https://go.hotmart.com/F108012070E. Pacote com os 4 simulados da CGU (18/10, 01/11, 15/11 e 29/11), R$ 99,90: https://go.hotmart.com/J108012178S.

    Fontes

    Fontes consultadas em 12/10/2026.

  • COUNT(*) ou COUNT(coluna)? Como o SQL conta linhas e valores nulos

    COUNT(*) ou COUNT(coluna)? Como o SQL conta linhas e valores nulos

    Uma tabela tem 3 linhas, mas a contagem deu 2. Não é erro do banco de dados: é a diferença entre contar linhas e contar valores não nulos.

    O exemplo

    Considere a tabela fictícia notas, com uma coluna nota:

    alunonota
    Ana10
    Bia20
    CaioNULL

    Segundo a documentação do PostgreSQL, o valor nulo representa um valor desconhecido. No exemplo, a nota de Caio não foi registrada.

    COUNT(*) conta linhas

    SELECT COUNT(*) FROM notas;
    -- resultado: 3

    Segundo a documentação do PostgreSQL, count(*) calcula o número de linhas de entrada. Todas as linhas entram, com ou sem valores nulos.

    COUNT(coluna) conta valores não nulos

    SELECT COUNT(nota) FROM notas;
    -- resultado: 2

    A mesma documentação diz que count(expressão) conta as linhas em que o valor de entrada não é nulo. A linha de Caio fica de fora. A documentação do SQL Server (Microsoft) descreve o mesmo comportamento: COUNT(expressão) retorna o número de valores não nulos.

    Zero não é NULL

    Se a nota de Caio fosse 0, COUNT(nota) daria 3. Zero é um valor conhecido; NULL representa um valor desconhecido. Confundir os dois muda o resultado de contagens e de médias. Pela mesma razão, para testar nulos use IS NULL, e não = NULL.

    O efeito no AVG

    A documentação do PostgreSQL explica que a maioria das funções de agregação ignora entradas nulas. Por isso:

    SELECT AVG(nota) FROM notas;
    -- resultado: 15

    A média considera só 10 e 20: (10 + 20) ÷ 2 = 15. Se o objetivo fosse tratar a nota ausente como zero, seria preciso dizer isso explicitamente, por exemplo com COALESCE(nota, 0), e aí a média seria 10.

    Checklist para questões

    • O argumento é * ou uma coluna? Linhas ou valores não nulos?
    • Há WHERE antes da contagem? Ele reduz as linhas de entrada.
    • Há NULL na coluna? Ele sai de COUNT(coluna), AVG, SUM, MIN e MAX.
    • Há GROUP BY? A contagem passa a ser feita por grupo.

    Resumo para revisão

    • COUNT(*): número de linhas.
    • COUNT(coluna): número de linhas com valor não nulo naquela coluna.
    • A maioria das funções de agregação, como AVG e SUM, ignora NULL.
    • 0 é um valor conhecido; NULL representa um valor desconhecido.

    Fontes

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